Israel, 7 de junho de 2005: A última notícia aqui é que três pessoas foram assassinadas em conseqüência de ataques com foguetes Kassam, realizados pelo grupo terrorista Hamas, contra a cidade de Sderot, situada no deserto do Negev, e contra o vilarejo judaico de Ganei Tal, na Faixa de Gaza. Os trabalhadores que estavam na estufa de climatização, onde plantas são criadas em ambientes desenvolvidos artificialmente, nem eram israelenses, dois eram árabes palestinos e o terceiro era chinês.
Interessante como uma noticia apenas é capaz de desmentir vários fatos:
• Os árabes palestinos apenas possuem pedras como armas.
Esta informação não é verdadeira, pois constantemente os terroristas têm usado morteiros e foguetes Kassam, cada dia com mais alcance, para atingir seus alvos.
• Os terroristas apenas querem que termine a “ocupação”.
A notícia da retirada dos vilarejos judaicos da Faixa de Gaza está em todos os meios de comunicação, não é necessário ser um analista político para saber disso, pode ser considerada como fato consumado e uma lei a este respeito já foi promulgada no parlamento israelense. Isto é, o argumento de que o ataque é para que os judeus saiam de lá, não procede, pois a decisão de sair já foi tomada pelo governo israelense e será levada a cabo dentro de dois meses.
• Uma vez que termine a “ocupação” pararão os ataques terroristas.
Se isso é verdade, por que a cidade de Sderot, situada no Negev, também foi alvo dos foguetes ?
Uma das maiores dificuldades que eu possuo, quando tento explicar a situação de Israel para outras pessoas que não moram aqui, é que, quando estamos tratando de terrorismo, a lógica até então aprendida, vivenciada e utilizada não funciona. Qual o objetivo deste ataque? O objetivo é apenas um: matar, pois se o objetivo fosse tirar os judeus de lá, bastaria que os terroristas ficassem sentados durante dois meses e esperassem o exército desocupar os vilarejos.
Grupos terroristas, e aqui fala-se de Al-Qaeda, IRA, ETA, Hamas, Jihad, o que for, visam causar o que o próprio nome diz: TERROR. E é isso que muitas pessoas têm dificuldade para entender. Alguém que deixa uma bomba em um local público, ou atira um foguete que vai cair cinco km adiante, sem nem mesmo conhecer exatamente quem será a vítima (prova disso é que as vítimas nem israelenses eram, com certeza se soubessem que neste caso não matariam nenhum israelense, nem teriam atirado), não quer negociar. Não somente não quer negociar, como não se preocupa se a bomba matará um jovem, uma mulher, uma criança pequena, não importa, desde que a vítima morra ou fique ferida.
Outra falácia com a qual deparamos muito, é de que eles –terroristas- não têm a quem buscar ajuda e, numa última tentativa de conseguir o que querem, apelam para o terror. A prova de que isso é mentira, é que Israel concordou através das negociações de Oslo com a retirada dos vilarejos judaicos. Então, por que o terror continuou mais forte do que nunca ? Simples, porque a criação de um Estado Palestino acabaria com a justificativa do terror empregado pelos grupos árabes palestinos.
Um fator importante a ser mencionado é que um ataque terrorista não pode ser fruto de uma condição de desespero ou de último recurso, pelo simples fato de que o terror necessita de estrutura, treinamento, voluntários, dinheiro e, principalmente, tempo para realizar toda esta organização e atentados. Recursos estes que, caso fossem direcionados para o bem, poderiam ajudar muitas pessoas e até se tornar, por que não , uma ONG, servindo de exemplo e de base para a futura construção de um Estado Palestino. Tudo muito bonito, só faltou uma pergunta:
Será que eles querem um Estado Palestino ? Basta olhar os vídeos de terroristas pouco antes de se explodirem num lugar público, eles não falam que o objetivo é ter um Estado, mas sim que o objetivo do ato é matar o maior número de judeus possível e assim ir para o paraíso onde os aguardam 70 virgens. Quem quer um Estado, o constrói na terra.
Aos que ainda tinham um pouco de esperança e que não entendiam o que significa o terrorismo, o encontro de Camp David entre Barak, Arafat I”S e Clinton parecia ser a solução dos problemas do Oriente Médio. Afinal de contas, o único “culpado” da história era Israel, não é mesmo ? Porque Israel teve, tem e parece que sempre tem de ceder, sem nunca encontrar uma reciprocidade do outro lado. Pois bem, Israel cedeu:
O governo de Israel, representado pelo então primeiro-ministro Ehud Barak, ofereceu retirar os vilarejos judaicos de Gaza, Judéia e Samária e reconhecer a capital do Estado Palestino como o lado oriental de Jerusalém. Porém, o mais surpreendente, para aqueles que acreditavam que o problema teria sido resolvido, aconteceu, e Arafat I”S não aceitou. Pior, foi ovacionado pelos árabes palestinos na sua volta. Alguém que quisesse um Estado de verdade, ficaria profundamente decepcionado com a oportunidade de ouro perdida pela liderança árabe palestina.
Para quem não conhece Israel, a maior riqueza deste Estado é justamente, por incrível que pareça devido as brigas, a parte espiritual. Aqui não tem praticamente água doce, muito menos petróleo, riquezas naturais, nada mesmo, tudo foi conseguido com muito trabalho e utilização da tecnologia desenvolvida localmente. O único recurso natural que Israel possuia era uma jazida de petróleo no deserto do Sinai, entregue, sim, ao Egito em troca de paz através dos acordos de Camp David I.
O ataque de hoje é apenas o prenúncio do que acontecerá quando Israel se retirar da Faixa de Gaza. Se com supervisão e um certo controle do exército israelense na região isto ocorre, imaginem quando nem mais este ato de prevenção existir. Vale a pena lembrar que entre 48 e 67, antes de existirem vilarejos judaicos em Judéia, Samária e Gaza, o terror contra Israel era constante, o que prova, novamente, que o terror pouco se importa com a geopolítica da região ou com este ou aquele território.
Alguém pode pensar, só citei os problemas, atritos, conflitos, não seria interessante, então, que ao menos eu desse alguma sugestão de como resolver o problema ? Sem dúvida, e na minha opinião a solução do problema é: mostrar aos árabes palestinos que com o terror, eles também saem perdendo. Porém, justamente após quatro anos de terror e a futura retirada dos judeus da Faixa de Gaza, a mensagem enviada do lado israelense é: continuem com o terror, quem sabe amanhã não sairemos de Tel Aviv, Haifa, Jerusalém…. O que será feito com o objetivo de dar um passo adiante, na verdade será um passo para trás.
Se os árabes palestinos não são capazes de aceitar a idéia de conviver numa região onde há também 5% de judeus(os judeus de Israel convivem com 20% de árabes com os mesmos direitos que os israelenses), que nem direitos teriam numa eventual criação de um Estado Palestino, muito menos aceitarão 5 milhões de judeus vivendo num território que eles também consideram deles.
A decisão de se retirar já foi tomada, agora resta a implementação e, tomara, mas tomara mesmo, que eu esteja errado quanto às minhas previsões, mas minha pouca experiência aqui e minha intuição já me dizem o que nos aguarda. Quem ainda tem dúvida que se recorde da Tchecoslováquia na Segunda Guerra Mundial e o episódio dos Sudetos. O que Israel pensa que irá saciar a fome, na verdade irá abrir ainda mais o apetite.